Fevereiro 15, 2003


A crise passou. Acho que foi apenas uma pequena explosão. Culpa do São Valentim mesmo. Já estou bem de novo. Em processo de esquecer o canalha. Era para eu estar dançando "I will survive", mas nem sou um gay muito esteriotipado. Só tenho 1 CD do Michael Jackson. Nem tenho o DVD do Queen. Sei dançar só o refrão de Y.M.C.A. Acho o Aaron carter um pentelho. Tenho vontade de dar um tiro na testa da Britney. Confesso que não acho que a Sade tenha nada demais. Essa desculpa de "fantástica voz aveludada" não pega comigo. Me divirto com Cyndi Lauper, embora eu ache que ela não é afinada. Acho Diana Ross um anti-depressivo ótimo. Ouço Celine Dion pelo menos uma vez por mês. Acho a Aretha Franklin TUDO. A voz da Anastacia é perfeita. Nem gosto muito de Alicia Keys. Considero Destiny's Child ótimo. A Beyoncé é um anjo. Acho a Jennifer Lopez divertida. Reparei que todas as músicas da Aaliyah são iguais. Não acho que esse encontro de "divas" dá muito certo. E pasmem: Madona é um saco.

Gosto da Whitney. Da Aguilera também. Amo Mary J. Blige. Tracy Chapman tem uma voz inigualável. Ninguém é melhor que Nina Simone. Depeche Mode. Mary J. Blige. Lauryn Hill. Portishead.

"I'm gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play"

Classificados:

Procuro alma-gêmea. Que me dê atenção quando preciso. Que respeite minhas manias bobas. Que realmente goste de mim e não me use. Honestidade é fundamental. Seria bom se gostasse de ler [não vale Sidney Sheldon]. Que me apóie. Que me dê os empurrõezinhos que preciso. Se tiver um cabelo legal é ponto a favor. E que ou entenda minhas sutilezas, ou finja que elas não existem. O meio termo, nesse quesito, me incomoda bastante.

Salário em beijos à combinar. :p


Para destrair a mente, fiz um pequeno poeminha para você, meu doce canalha. Um bem espirituoso. Talvez um pouco pesado e carregado demais, mas bem simpático. Tem aquele ácido senso de humor-negro que talvez somente você saiba apreciar. Você pode não merecer minhas lágrimas, mas ainda merece alguns de meus versos.

Seu puto canalha! Quero que você morra e vá para o inferno. Mas, por favor, me leva junto.

Teu olhar frio;
Coração Gelado;
Sentimento vazio.
Meu olhar molhado.
Uma lembrança vaga,
Desta mão que afaga,
E que tanto enseja,
O que não desejas.

Chorei demais;
Vou deixar pra trás.
Cansei.
Parei.

Quero que você morra p'ra mim.
Mete logo nisso tudo um fim.
Quero que assim seja:
Me escarra e me apedreja.
Mas vou deixar de ser só seu,
Então cospe no prato que te comeu.

Parcimonioso - 15.02.2003


Como foi o dia de São Valentim de vocês?

Deixe-me dizer como foi o meu: eu estava numa sala. Com mais umas 20 pessoas. Todo mundo fumando maconha. Todo mundo menos eu, porque não gosto de maconha. Eu já experimentei. Mais de uma vez. Já fiquei doidão. Já fiz merda. Mas não gosto. Não fumo e não boto um baseado na boca nem que me paguem. Sou contra a legalização. Não tenho nada contra quem fuma, mas eu não me aventuro mais.

Pois lá estava eu. No meio da fumaça verde. Junto com pessoas que detesto. Fazendo social. Só pessoas falsas ao meu redor. Gente que detesto e gente que me detesta. Todos emaconhados. Rindo por nada. Falando merda. Se divertindo. Todos bebendo cerveja. Soltando frases desconexas. Dançando enlouquecidamente. Comendo doces. Dizendo o quanto se adoram. Alguns casais espalhados. Música alta. Muita comida.

E no meio de tanta gente eu estava sozinho. Sentado numa poltrona. Sozinho. Acho que a minha cara de depressão evita pessoas felizes. Porque pessoas felizes não querem macular seu júbilo com pessoas tristes. Quando algo de ruim acontece conosco, descemos uns degraus na sociedade. Ninguém mais tem saco de ajudar. Ninguém tem empatia. Todos têm umbigos enormes e, sinceramente, ninguém mais se importa.

Fiquei lá. Com cara de besta, olhando para o nada. Sozinho no meio da multidão. No silêncio, enquanto tocava música alta. Pensando em você. Onde estava você no dia de São Valentim? Com seu namorado, claro. Você tem um namorado, eu não. Você devia estar bebendo com ele. E rindo. E cantando. E dançando. E trepando. Mas eu estava lá. Sozinho. Você deveria estar com aquele sorriso bobo no rosto. Deve ter comprado flores para seu namorado. Talvez tenha recebido bombons. Todos muito felizes. Todos?

Rá. É nessas horas que o amante sobra. Crianças, lembrem-se: nunca sejam o número dois. Façam com que teu namorado te queira em primeiro lugar. Mesmo que ele tenha um amante. Simplesmente porque, na hora que eu preciso, ele nunca está lá. E eu choro. Lágrimas e lágrimas. Porque sou um idiota. Gosto de quem não devia. E me deixei gostar dele à toa. E agora sofro por ser tão burro. Por ter o coração tão fraco. Por estar nesse limbo. Por não dizer que o quero só pra mim, nem que não o quero mais. Fico só aqui. Triste. Deprimido. Olhando para a faca com outros olhos "hey, faca, você me quer?". Hoje comi por 5 horas seguidas. Byebye dieta. Foi compulsão. Enchendo a pança. Pensando em comida para ver se esqueço você.

Mas não é tão simples esquecer você. Tá foda. Não dá.

Fevereiro 14, 2003


A ocasião faz o ladrão

Meus pêsames para quem concorda com essa frase, porque ocasião nunca me faltou e jamais roubei. Não vou dizer que nunca tive o impulso, porque também sou humano, mas pelo menos consigo controlar esse meu instinto. A minha avó é literalmente gagá e não se lembra de nada que aconteceu nos últimos 15 minutos. Se eu ficar pedindo dinheiro para ela de meia em meia hora, fico milionário em uma semana. Mas eu não o faço, porque tenho certos princípios e gosto de manter meus escrúpulos.

Mas eu tinha um namorado que roubava. Só fui descobrir isso depois que comecei a namorá-lo. Um dia ele chegou todo contente, dizendo que tinha surrupiado um ítem de 20 reais de uma loja. Se o ato em si já é nojento, o orgulho com o qual ele contava isso, quase me fez vomitar. Seus olhos piscavam e saltavam. Seu coração ainda batia forte e seu corpo estava quente. Ele roubava e se sentia bem. Gostava de enganar os outros e levar a melhor encima disso. Ele considerava-se um Robin Wood por roubar dos donos ricos das lojas e dar para os pobres [no caso, ele mesmo]. Chega a ser engraçado ouvir isso. Que ele é pobre e precisa roubar dos ricos. Ele não é pobre. Ele paga caro pelo colégio em que estuda. Ele tem uma casa enorme e um computador. Aquele falso escroto.

Eu me revolto com roubo sim. Ainda mais com gente que não precisa roubar. E quero mais que a Winona Ryder se foda. O que esse meu ex-namorado não entendia é que, quando ele roubava algo, quem pagava o prejuízo não era o dono da loja. Era a vendedora que estava trabalhando naquele horário. Como sei disso? Porque a minha irmã trabalha em loja e já andaram roubando por lá. Levando em consideração que uma vendedora ganha comissão de 4% encima de tudo que ela vende e que, cada vez que roubam algo, ela tem que pagar do próprio bolso, se roubam uma camisa, ela tem que vender 25 camisas para não sair perdendo dinheiro. Pura matemática. Como todos sabem, vender 25 camisas em 8 horas de expediente não é tão fácil assim. Deste modo, a vendedora acaba trabalhando de graça ou pagando pra trabalhar.

Eu, sinceramente, não acho nem um pouco engraçado ver alguém roubando da minha irmã, que ainda por cima sofre de desvio de septo e sopro no coração.

Foi aí, que depois de me contar sobre a incrível façanha dele, eu falei "na minha casa você não entra mais". Ele ficou puto. Revoltado. Indignado. Mas eu não cedi. Falei que se ele pode roubar na rua, então vai roubar dentro da minha casa. E não gosto que levem minhas coisas embora. Achei necessário dar uma de ingênuo, só para irritá-lo. Pronto. Lá veio ele com aquela cara emburrada. Que nem criança. Nem dei bola. Uns dias depois, ele me liga como se nada tivesse acontecido. Eu respondo como se nada tivesse acontecido. Saímos juntos. Fomos no cinema. Depois, ele queria vir para a minha casa. Eu não deixei. Também não deixei ele passar a mão na minha bunda, alegando que ele podia bater minha carteira. E tive que ouvir a péssima frase "em você só bato punheta" [lendo agora, parece engraçado]. Até hoje ele não entra aqui em casa. Duvido que tenha roubado novamente. Ele não era, de todo, mau.

Fevereiro 13, 2003


De tarde eu estava ouvindo o CD "What's going on" que comprei há uns meses atrás. Trata-se de mais uma regravação do grande sucesso de Marvin Gaye. Apenas uma mesma música, cantada de jeitos diferentes ao longo de suas 9 faixas, incluindo mais de 30 artistas. Aí você lê ali aquela galera toda do POP, R&B e RAP junta e tem vontade de comprar para ver no que vai dar a mistura.

Os artistas devem se sentir o máximo. Participando de um CD onde eles não ganham absolutamente nada [também não sei quanto eles queriam ganhar para cada um cantar 4 versos] e ainda levam a fama de serem bonzinhos. Claro. Eles são uns amores e super empáticos, já que todo o dinheiro da venda dos CDs vai para a luta contra a fome. Contra a AIDS na África e contra o terrorismo. E nós, fiéis consumidores, compramos o CD super contentes, achando que estamos dando um prato de feijão para uma criancinha em Serra Leoa, enquanto ouvimos música dançante. Nós dançamos, eles comem.

Artistas felizes. Consumidores felizes. Mercado financeiro feliz pelos outros dois estarem tão felizes.

Agora, Bush está querendo começar a 3a guerra mundial e onde estão os artistas cantando versinhos contra a guerra? Sinto falta da poderosa voz de Christina Aguilera vociferando "oh, oh, Bush, don't do it baby". Sinto falta do Bono Vox, o salvador do mundo, se mobilizando e criando campanhas para o desarmamento. Não estou mais vendo Britney Spears e Gwen Stefani dando as mãos e sorrindo uma pra outra usando camisetas escrito "não mate o próximo". Eu realmente queria estar ouvindo os rappers falando "yo yo yo, don't kill each other, brow". Nem mesmo a Jennifer Lopez botou um broche perto do decote para que todos vejam.

É uma merda confirmar que "what's going on" era mais uma daquelas campanhas de auto-promoção dos artistas [como se tivessemos pensado que era mesmo solidariedade]. Algo tão puro e singelo quanto a Miss América decretar que seu sonho é a paz mundial. Agora que tudo envolve guerra e governo, estão todos caladinhos em seu estúdio, gravando seus CDs solo e torcendo para não serem tachados de anti-patriotas pela revista People.

Os artistas continuam felizes, pois a guerra não os atinge. Os consumidores continuam felizes, pois seus artistas prediletos continuam cantando. O mercado financeiro ainda está feliz pelos outros dois estarem tão felizes. Talvez mais feliz ainda por estar vendendo armas e patrocinando a guerra. Ninguém está se importando muito com aqueles turbantes explodindo lá em outro continente.

Mas a criancinha em Serra Leoa Volta a passar fome.

What's going on?


Ontem, quando olhei pro lixo que tem aqui do lado, vi um saco de pipoca, outro de amendoim, uma caixa de BIS vazia com seus 20 papeizinhos amassados e uma garrafa de coca-cola. Nem me lembro direito de ter comido tudo isso. Acho que foi por compulsão. Não estou nervoso. Nem ansioso. Nem preocupado. Eu estou desocupado mesmo e como por tédio. Na falta do que fazer e sem nada melhor pra botar na boca, vai a comida.

Agora vou voltar para a minha dieta. Comer pouco no almoço, pouco no jantar e chega. Nada de café da manhã. Nada fora das refeições. Nada de doces ou sobremesas. Nem comida em grandes quantidades. Chega de fritura também ou qualquer coisa gostosa que engorda. Acho que está na hora de eu passar um pouquinho de fome.

Entendam que meu cabelo é ruim, meu nariz é grande e minha pele é feia. Não me considero uma pessoa com grandes atrativos. Não sou feio, mas também não sou chamativo. Eu passo desapercebido. E isso é um saco. Gostaria de chamar a atenção pelo menos em algum aspecto, e como não tenho saco de fazer ginástica [lembrando que não gosto de corpos muito malhados], acabo fazendo meus regimes ou tendo umas crises anoréxicas para emagrecer.

Porque eu gosto de ter mais de 1,70 e menos de 50Kg. Eu acho legal. Eu me sinto bem. Considero pessoas assim bonitas também. E olha que nem precisei tirar costela nenhuma [conheço alguns que já o fizeram]. Não tenho barriga, mas tenho gordura nos lados, sabe? Meu corpo não faz aquele contorno violão [a palavra é cafona, mas vocês entendem] que eu gostaria que tivesse. Tenho 2% de gordura no corpo. Quero ir para 0,8.

Eu não acho anorexia errado, nem uma doença. Eu considero uma opção. Se você acha legal passar fome para ter um corpo legal, o problema é seu. E não acho obesidade errado, nem uma doença. Se você acha legal comer o dia inteiro, porque isso te dá prazer, sem se importar com o corpo disforme que vai ter, o problema é seu. Portanto que ninguém exagere demais ao ponto de ter que ser hospitalizado por isso, não vejo problema algum.

Agora, cá estou eu. Fazendo aeróbica e correndo numa esteira, enquanto ouço a Anastácia cantar [não fode. a voz dela é legal e ela canta bem pra caralho. se escolheu o estilo de música errado, a culpa não é minha.]. Alguns exercícios de alongamento e flexibilidade. Dancinhas e coisas bizonhas. Aquele tipo de coisas que fazemos de cuequinha em frente ao espelho, nos achando o máximo, mas se alguém ver, vai rolar de rir da nossa cara.


Agora que anunciaram os concorrentes ao Oscar, a tendência é todo mundo fingir que é nacionalista e ficar indignado porque o filme "Cidade de Deus" não foi indicado. Tirando a parte do falso-patriotismo [uma vez que ouço essas pessoas xingando o Brasil pelo menos umas 50 vezes por dia, falando que brasileiro não presta e que esse país é um cu], acho que todos têm que se lembrar que, dentro dos Estados Unidos, "filme estrangeiro", é qualquer coisa que não é produzida lá dentro. Isso inclui toda a america latina. Europa. Ásia. África. Acho que é querer demais que, todos os anos, um filme brasileiro seja indicado. Mesmo porque, por mais que o filme seja bom, convenhamos: há filmes bem melhores.

Eu posso estar afundado nesse país, mas eu o amo como muita gente não o faz. Realmente gosto de ter nascido aqui. Mas acho hipocrisia demais ouvir frases do tipo "é tudo culpa do pensamento-Bush". O que Bush tem a ver com Hollywood? Acordem. Não sem impolguem tanto. Assistam os outros filmes estrangeiros indicados e tentem entender porque eles foram indicados. Dê uma chance à sétima arte, antes de sair criticando tudo que vê pela frente. Mesmo porque, que diferença faz ter um Oscar ou não? Isso pode mudar a vida do diretor, mas certamente não vai mudar a sua. Ou todos querem viajar para a Argentina, abordar um nativo e falar "Ganhei 5 Copas do Mundo e um Oscar. Você não ganhou nada. rá rá". Ele vai rir da sua cara.

Fevereiro 12, 2003


De tarde, encontrei uma amiga minha. Não a via há tempos. Somos amigos de infância. Ela passou mais de um Natal aqui em casa. Já estudamos no mesmo colégio também. Na mesma sala. Eu a encontrei no ônibus.

O pai dela é estranho. Ele era bastante famoso por aqui e dono de uma rede de lojas que rendia bastante. Mas gastou todo o dinheiro com bebida e putas. Muitas putas. Ele comprava carros para as putas prediletas dele. Sendo que minha amiga morava com ele. Os pais eram divorciados. Todo dia, quando minha amiga acordava, na mesa do café-da-manhã, ela dava de cara com uma puta diferente. Sem contar os gemidos que não devia ouvir á noite. Não deve ser nada confortável.

Por que ela não vivia com a mãe? Porque, se o pai era estranho, a mãe era louca. Literalmente louca. Já foi internada no hospício várias vezes. Aliás, acho que ela está morando lá. Sempre picotava o cabelo com a tesoura e depois se picotava. Já foi parar no hospital por ter tentado se matar cortando os pulsos. Esse tipo de coisas.

Minha amiga mora com o irmão e com a avó. Com pais assim, não sei como ela virou uma das pessoas mais corretas que já conheçi. É algo quase bíblico. Ela é engraçada, divertida, sensata, linda, nunca falou mal de ninguém, defende os direitos humanos e é estudiosa.

Quando a encontrei hoje, percebi, que além da cicatriz que ela tem no rosto por ter sido mordida por um cachorro, ela estava com outra enorme no braço, que pegava pela mão, passava pelo pulso, e descia uns 15 centímetros. Enorme, super-feia e bem profunda. Ela reclamou [mesmo que tenha sido no seu simpático e alegre modo de ser], que nem pôde fazer vestibular, já que tropeçou em casa, caiu encima da janela e esta se espatifou. Depois de se espatifar, vários pedaços de vidro se fincaram no seu braço, inclusive cortando o pulso e rasgando veias e artérias, fazendo ela quase morrer. Chegou a ser hospitalizada por um tempão para se cuidar.

Fico imaginando se foi mesmo um acidente.


Andei reparando quão estranha é nossa relação com a empregada aqui de casa.

Hoje, minha irmã falou "você pode fazer gelatina pra mim?". Ela virou a cara emburrada, fumou um maço de cigarros, não fez gelatina nenhuma e ainda mandou meu irmão comer o resto da gelatina velha que tinha, só pra provocar minha irmã. Além disso, mês passado minha irmã comprou 30 pares de meia. TRINTA. Hoje, não tem mais nenhum. NENHUM.

Outro dia ela tava aqui em casa bufando: "Que merda. Que puta merda. Dia desgraçado. Essa sexta-feira, parece ser sexta-feira 13, putaqueopariu, caralho, merda. Acho bom não me encherem o saco." Desse jeito ela sempre acaba conseguindo uns dias extras de folga.

Sempre que minha mãe está de regime, ela compra paçoquinha e faz bolos e pudins e fica oferecendo pra ela só de sacanagem. Minha mãe acaba não resistindo e come tudo, saindo completamente da dieta.

Ela trabalha aqui há pouco tempo. É chata. Ranzinza. Abusada. Fuma que nem uma chaminé. Todos aqui a odeiam. Ela enche o saco. Provoca. Gasta telefone. Passa o dia suspirando. Recebe visitas inusitadas.

Isso me faz pensar: o que ela está fazendo aqui?


Lembro que quando eu era menor, há uns 5 anos atrás, eu passava o dia jogando Tetris. Jogava o dia inteiro mesmo. Mais de 6 horas por dia. E meus pais me enchiam o saco dizendo "Não faz nada da vida. Só fica o dia inteiro com a bunda nessa cadeira em frente ao computador, jogando esta merda de jogo imbecil." Isso me deixava super puto.

Então, eu corria pra casa do meu tio. Ficava lá no PC dele, com o ar-condicionado ligado e um balde de pipoca na minha frente. Jogando tetris e batendo todos os recordes. Enquanto isso, eu ficava pensando:

"Quando eu for maior, de tanto treinar, vou, com certeza, ganhar o campeonato mundial de Tetris. E no meu discurso de agradecimento da medalha, vou dizer o quanto meu tio me ajudou na minha conquista e o quanto ele foi importante para esta realização na minha vida. Contarei a minha dificuldade. Minha grande batalha. Direi, aos prantos, que meus pais eram contra, mas eu, seguindo meu coração e instinto, persegui meu sonho e atingi meus objetivos. Meu tio vai ficar super-emocionado e meus pais vão morrer de inveja e arrependimento."

Hoje em dia eu acho que eu era a segunda criança mais idiota do mundo. Meu primo continua sendo a primeira. Viva o titio.


- Tenho que ir, querido.
- Mas é cedo ainda. Não são nem 3 e meia.
- Não me engana. Acabei de olhar o relógio. Já passam das 4 da manhã. Você adora me mentir horários.
- Sempre que você acreditou, te levei pra cama.

Seu canalha pedófilo. Sorte sua que gosto demais de ti. Mas confesso que adoro quando você me engana. Adoro quando você mente para me fazer ficar. E eu adoro ser enganado. Porque sempre quero ficar.


Eu sou bissexual. E isso significa que gosto de homens e mulheres. Gosto de deixar isso bem claro, porque conheço muito gay aí que se denomina bissexual, mas não gosta de mulher. Eu prefiro homens. Sinto mais tesão por homens. Olho para homens e penso "quero te levar pra cama". Gosto que me prendam contra a cama. Eu confesso que sou submisso. Gosto de mulheres, mas é diferente. Acabo gostando como amigas e depois fico com elas. Não é a mesma coisa. Não é paixão, nem tesão. Quando olho para uma mulher bonita, penso "quero te beijar" e não "quero te levar pra cama", entende? Gosto de passar minha mão pelo corpo liso. Gosto das ondulações. Dos peitos. Da sensualidade e sensibilidade feminina. Da sutileza.

Dificilmente eu me apaixonaria por uma mulher. Por homens, sempre acontece. Embora, ultimamente, todos os homens tenham me sacaneado bastante. Estou tendo que aprender a manipulá-los. Vou dizer, que mesmo sendo homem, concordo com as mulheres: homens são insensíveis, péssimos com sentimentos e facilmente manipuláveis. Todos eles? Não. mas a grande maioria é sim. Não sei em que grupo me encaixo, mas também não tenho a menor vontade de saber.

Eu tive uma namorada que nunca entendeu bissexualismo. Outro dia, depois de fazer sexo dentro da caçamba de um caminhão estacionado aqui perto, ela começou a dizer que eu não era gay. Algo do tipo "você não é gay. Se você vai tão longe com uma mulher é porque você não é gay. Isso que você está fazendo é tipinho. Você pensa que é gay, mas não é." Não entendo de onde esse povo tira essa idéia. Tenho que parar de sair com gente que é cabeça fechada demais. Para que eu ia querer fazer "tipinho" se ser gay ainda é um daqueles preconceitos-tabus? Se for pra fazer tipo, prefiro dizer que gosto de Britney Spears. Pelo menos assim, acho que conseguiria mais sexo com mulheres do que dizendo que sou gay.


Eu amo aquele puto e não suporto o fato de ver que ele partiu. Ele fez tantas falsas promessas e só brincou comigo, mas o culpado sou eu mesmo, que preferi acreditar em tudo, mesmo sabendo que era mentira. Eu não fui fodido: eu me fodi. No fundo eu gostava daquelas mentiras falsas, daquele jeito canalha-sem-graça que ele tinha. Não acho que era má intensão dele. Ele apenas tinha pena de mim, como a maioria das pessoas tem. Só não sei como ele arranjou aquele namorado. Que ódio. Eu daria tudo para descobrir o que o namorado dele tem que eu não tenho. Porque:

1. Ele é feio pra caralho.
2. Ele é chato.
3. Ele é burro.
4. Os poemas dele são ruins.
5. Ele é brega.
6. Seis é o número. Ele é 6 anos mais velho [tá, idade não é nada e eu já namorei uma pessoa 10 anos mais velha, mas mesmo assim é um motivo a mais para eu criticar aquele jerk]

Que merda. Esse cara deve ter dado a incrível sorte de pegá-lo num momento de carência e conquistá-lo aos poucos. Acho que o cara que eu gosto foi mesmo enganado por esse BBC. Brega Babaca Cachudo. Porque é assim que a gente chama ele por aqui. Não chega a ser ofensivo, mas também não é nada tão carinhoso. É um apelido escroto pra caralho. Mas ele é escroto pra caralho, e é isso que vale.

Agora tá lá aquele puto. O meu puto. O cara que eu realmente gosto, longe pra caralho de mim, sem telefone e sem internet. Tou tendo que me contentar com uma ou duas cartas por mês. Vou dizer uma coisa: é foda. É foda e tá foda de engolir. Se for pra engolir, que seja porra.

Pelo menos ele me deixou uns bons conselhos. E umas boas palavras. Algumas ótimas memórias. É uma daquelas pessoas que me fez crescer. Eu amo ele. Eu amo ele. Eu te amo, seu puto. E tou juntando grana para ir ai te ver e te arrastar pra cama. Meu menino prodígio. Não sabia que existiam pessoas assim. Você é a prova viva e não é lenda. Rá. Você vai ser grande e pretendo mesmo é estar do teu lado quando isso acontecer.