Março 15, 2003


Além disso daqui estar mais quente que o inferno [tenho como comparar, já que constantemente ando por ], ir num show, com mais 200.000 pessoas, dos Paralamas [que nem curto], só porque é graça, não coopera. Valeu só pelas bebidas grátis que deu pra descolar. Ah, e ver a Elke Maravilha de perto [já é a 2a vez que a encontro].

Este meu dia de sábado, foi um típico dia de sábado. O problema, é que tenho me sentido culpado de usar meus sábados como sábados. Tenho tanta coisa pra estudar. Trabalho pra fazer. Projeto pra terminar. Panfletos pra divulgar. Material novo para tentar publicar. Festas para organizar [sempre sobra pra mim - desta vez estou pensando em algo que misture festa junina com rock dos anos 80 pra junho. Mega evento. Tocando Cyndi Lauper na quadrilha]. Botar a minha vida em ordem. Socializar com meus contatos [para conseguir mais contatos]. Ler vários textos pendentes. Terminar deveres. Praticar línguas. Agh, é tanta coisa que enlouqueço.

E com tanta coisa para fazer, me sinto mal quando embarco num ócio. Este sábado, foi vagabundagem total. E, no final do dia, acabou que nem beijei. Me sinto no prejuízo. É uma merda. Só fico aqui remoendo tudo o que poderia ter feito, cansado demais para conseguir começar algo e levar ao fim; e bêbado demais para conseguir fazê-lo com competência. O mais próximo do lucro que cheguei, foi quando eu estava passando na rua, um cara me parou, botou a mão por dentro da minha camisa e começou a passá-la na minha barriga. Ele até era bonitinho, mas a situação era medonha, não? Não dá pra trepar com alguém assim: assustador.

Eu sei que não deveria me sentir tão culpado, já que agito bastante coisa e tenho direito a me divertir. Só que eu não sei se eu me sinto no direito de me dar esse direito, entende? Porque ainda tenho muita coisa para fazer e não sei se vai dar tempo. Então, fico sempre sentindo aquele remorso carregado de angústia. Por mais que tente me divertir, está sempre martelando na minha cabeça "perdendo tempo, perdendo tempo". Muito estranho.

Amanhã vou entrar de cabeça nas preocupações e ver se consigo recuperar o tempo perdido [talvez eu coma uma Madeleine no café da manhã, para ver se Proust me ajuda, hehe].

Março 13, 2003


Amigos gays

Andei reparando blogs afora que praticamente todos os gays tem muitos amigos gays. Natural, certo? E é bem claro de perceber isso. Todas as historinhas contadas relatam o gay principal e seus amigos gays se divertindo.

Entretanto, depois de acomapanhar os mesmos blogs por mais de 6 meses, fui vendo que a maioria dos gays tem amigos gays. E que 80% de suas historinhas envolvem putarias. Sendo assim, não é de se admirar que muitos [preconceituosamente] ainda associem gays à promiscuidade.

Não vou dizer que todos os gays sao promiscuos. Nem que promiscuidade é ruim. Nem que eu não sou promíscuo. Mas há diferentes formas de enchergá-la e isso tem muito a ver com a imagem pessoal de alguém. Normalmente, gays costumam ter relacionados a ela, um preconceito inerente. Depois de revelar ao mundo que são gays, o alívio é tão grande que eles se sentem no direito [com certo motivo] de sair revelando tudo de sua vida pessoal. Eu acho que uma coisa é dizer que é gay. Outra é dizer que adora dar o cu se lambuzando de ky e que pagou um boquete numa rua deserta de madrugada.

Dá para enchergar a diferença?

Eu, curiosamente, devo ser um dos poucos gays que não tem nenhum amigo gay. Não mesmo. Já tive relacionamentos amorosos diversos. Ainda tenho alguns. Mas, amigo, não tenho nenhum. E acho que muitos gays tem amigos gays simplesmente porque estes são gays. E aquele se identificam com isto. faz sentido, não? Mas quando isto começa a se tornar pré-requisito é que há algo de errado e a situação começa a se tornar um tanto quanto doentia. Quase como se um gay nao pudesse ter amigos não-gays.

Talvez, por isso, eu veja tantos gays um tanto quanto desiludidos quanto á amizade, já que não há nada que una seus amigos [tirando o fato de todos serem gays]. Isto é, não é nem necessário haver uma afinidade em comum entre as pessoas. Basta serem gays.

Muitos podem descordar e para justificar falarão: "mas ele gosta de beber, se divertir, falar merda, discutir sobre sexo". E eu retruco: quem não gosta?

E isso não é só com gays. Por isso que estou afirmando tudo isso. O mesmo acontece com grupinhos "estilisticos", como góticos, clubbers, punks, alternativos, indies, etc. Não há nada que os una, tirando um certo ideal em comum. É claro que, aparentemente, conhecer pessoas sob estas circunstancias pode parecer vantajoso, mas não é sempre assim que acontece. Ainda mais quando a união envolve algum tipo de saber e disputa pessoal. A concorrência entre 2, pode gerar desdém, devido a um certo conflito interna dentro do mesmo grupo. Isto cria atritos. Que buscam apoios em outros membros. Que acham que devem tomar um partido ou ser solidários. Se tomar partido, perderá, como amizade, o outro lado. Se apoiar por solidariedade, poderá ser taxado como alguém que faz jogo duplo.

Pode não ter muito a ver, mas isto me explica muito da falsidade que tenho visto em certos locais. Quando há muitos de um mesmo concenso juntos, tende a haver uma disputa. Quando o grupo é cheio de diferenças [falo diferenças gerais e nao específicas], estas diferenças podem gerar um diálogo mais amplo que causará a união e sem muitas rixas, jáque ninguem tenta provar-se melhor que ninguem dentro de certos aspectos.

OK. Assumo que isso ficou confuso. Depois organizo melhor.

Março 11, 2003


17 de março

Só agora que fui perceber que a guerra vai começar no dia do meu aniversário. É isso aí. Enquanto todos seguram suas metralhadoras, botam capacetes e lutam na terceira guerra mundial, eu estarei fazendo 18 aninhos.

Março 10, 2003


Estou tão triste. Tão triste. Tão triste.

Meu pai está, novamente, entrando em um de seus períodos de crise. Incrível como isto abala a família.

Agora, no jantar, ele sentou-se à mesa, com aquela inexplicável expressão que só ele consegue fazer. Basta olhá-la, para sabermos que há algo de errado. Que ele não está contente. Que isto vai nos afetar. Que o clima ficará pesado. Que, de um jeito ou e outro, iremos sofrer. Ano retrasado, pelo menos, ele foi honesto e disse "vou tornar a vida de vocês o mais desagradável que eu puder". Mas este foi o Outono do Terror de 2001 que eu prefiro nunca mais me lembrar.

Ele sentou-se à mesa de jantar. Havia arroz, suflê e frango. Ele pegou a faca. Lentamente desfiou o frango. E então disse "eu nunca mais quero comer frango em toda a minha vida". Minha irmã respondeu "mas, por favor, não para de comprar, porque é só isso que eu como." Foi aí que meu pai saiu da cadeira, ficou em pé e gritou "pois se você quer comer esta porra, você que compre". Ela saiu chorando da mesa. Mas meu pai foi buscá-la e deixou bem claro que "se você não se sentar à mesa, irá se arrepender".

Depois disso, ele passou o resto do jantar dizendo que o arroz estava uma papa. Que o suflê estava uma merda e parecia purê. Que ele não era cachorro para comer aquilo. Que ele não é hiena para comer merda e rir. Quando meus irmãos ou minha mãe tentaram retrucar algo, levamos severos cortes. Depois do jantar, durante a sobremesa e o cafézinho, ele apenas apoiou a cabeça sobre as mãos e ficou parado sem dizer nada. E mais ninguém na mesa poderia dizer nada.

Eu, como sempre, fiquei nervoso, tive aquele meu problema muscular e não consegui me mexer. Então, fiquei por volta de 50 minutos olhando para um ponto fixo, até minha irmã me dar uma sacudida. As vezes eu tenho essas tiltes. Há alguns minutos atrás, me peguei chorando e comendo papel. Tem vezes, também, que fico lendo tudo o que encontro de tras pra frente. Ou dou cabeçada contra o espelho. Ou me corto todo. Ou estudo francês. Ou quebro coisas. Ou tiro todos os objetos de dentro do meu quarto e boto dentro de caixas.

Depois, minha irmã estava reclamando com a minha mãe que alguém havia usado a escova dela. Meu pai saiu gritando "ninguém usou a sua escova!!! foi um fantasma!!! foi um fantasma!!!". Aí entrou no quarto. É um saco, porque ele bota pantufas e fica se esgueirando silenciosamente pela casa. Já levei vários sustos com ele me pegando de surpresa. Medo mesmo dá de madrugada, quando ele fica zonzando por aí, abrindo gavetas.

Mas são apenas fases. Já fazia um tempinho que ele não tinha uma. Espero que não dure muito. Pena que foi logo hoje. Hoje era para ser um dia tão especial...


Não estou bem.

Março 09, 2003


Não canso de dizer que amo você. Para que fostes arranjar um namorado, hein? aiai. Mas uma hora o meu dia chegará, óquei? E, então, serei a pessoa mais feliz do mundo, morando contigo na França e tocando piano. Cantando Nina Simone e me entupindo de bebidinhas coloridas. Até lá, morro de saudades.

Vou te ligar amanhã pra ouvir sua voz.


Não sei em que parte a coisa começou a desandar, só sei que ontem, em algum momento, olhei em volta e percebi que estávamos no chão de um supermercado, com 2 garrafas de Vodka e 1 de fanta Laranja, misturando bebidas. Enquanto isso, minha amiga conversava com um italiano, dono de uma rede de restaurantes, que veio passar as férias no Brasil, vestido mega-cafonamente com camisa estampada verde e dentes de tubarão no pescoço, que também estava no chão, colando seu sapato com super-bonder. Depois, ainda demos uns copos de pinga pra um grupo de punks e pra alguns mendigos também. E um copo de açaí pra um pivete legal. Aí, entramos com a bebida no McDonald's e ficamos por lá mesmo.

Foi então que dei meu broche predileto, um que uso todos os dias há meses, para uma amiga minha. E ganhei um beijo de volta. Mas, agora, o beijo já passou e sinto falta do meu broche. Droga. Pelo menos, ela me deu uma pulseirinha fofa dela, daquelas coisinhas de metal, que ela passou um dia fazendo. Quero outro beijo.

Quero beijo. Onde estão meus fãs-blogueiros beijoqueiros, nestas horas?